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domingo, 13 de setembro de 2015

A Solidão, o Sentimento e a Sombra dos Colossus






Shadow of the Colossus não é só mais um joguinho qualquer. Shadow of the Colossus é uma obra de arte! Com uma história digna de grandes épicos e quase completamente interpretativa, o jogo guia o jogador por um turbilhão de emoções.
Mono é uma garota que foi sacrificada em um ritual para evitar uma maldição. Wander resgata seu corpo e o leva a Shrine of Worship na Terra Proibida, onde seria possível trazê-la de volta por um alto preço. Dormin, a entidade que habita a Shrine, diz que pode salvar Mono se Wander libertar as partes de sua essência aprisionadas dentro dos Colossus, criaturas gigantescas e ancestrais. Wander parte com seu cavalo Agro sem perguntar como, onde ou porque ele matará os Colossus.




Wander e Mono


A história pode ser interpretada como uma alegoria a história da Torre de Babel. Dormin seria Nimrod, o Rei Imortal (perceba que Nimrod escrito ao contrário se lê Dormin). A entidade, assim como o babilônico, tem seu poder dividido em 16 partes, no caso os Colossus. É dito que Dormin desafiou o equilíbrio do mundo, provavelmente isso estaria relacionado ao seu poder de trazer os mortos de volta a vida. Nimrod na história bíblica desafia Deus. Outra coisa que sustenta essa interpretação é o fato de quanto mais da essência de Dormin Wander adquire, mais grotesca fica sua aparência, assim como Nimrod ao expandir seu poder.


Também podemos interpretar a jornada de Wander como uma metáfora para a vida real em que devemos usar a inteligência, a coragem e a força de vontade para não desistir no meio do caminho. Assim como a vida também podemos explorar cada canto da Terra Proibida e aproveitar as paisagens deslumbrantes, ou podemos ser objetivos e acabar com tudo mais rápido sem ter aproveitado ao máximo as oportunidades.

Wander e Agro contra Quadratus



A solidão e o sacrifício são muito presentes em Shadow.  A completa ausência de trilha sonora nas cutscenes e em momentos de andanças nos passa toda a desolação de Wander e nos mostra o carinho e lealdade de Agro. O nome Mono só reforça a solidão do jogo, pois nos diz que apesar de tudo ela e Wander nunca ficarão juntos. O protagonista sacrifica sua felicidade e sua vida para trazer a garota de volta, mesmo não ficando completamente claro qual a relação entre eles, assim como Mono se sacrificou pela sua aldeia. Os Colossus são guerreiros do antigo povo da Terra Proibida que sacrificaram sua liberdade para aprisionar a essência de Dormin (sabemos disso pois seus espíritos tem forma humana). Até mesmo o jogador tem que sacrificar suas emoções para salvar Mono, já que a maioria dos Colossus é pacífica e mata-los chega a ser doloroso para a pessoa que controla o joystick.

A trilha sonora é um show para os ouvidos, principalmente pelos longos momentos silenciosos. Nos poucos momentos em que escutamos o som de violinos temos vontade de chorar.




A trilha sonora completa das batalhas e dos encontros com Colossus



No fim das contas não são as batalhas épicas contra criaturas cem vezes maiores que você que faz desse jogo um dos melhores na história dos games. Não são as lutas voando, escalando ou nadando que nos deixa fascinado. São as emoções despertadas e a rica mitologia que nos impressiona e nos sensibiliza.
Shadow of the Colossus é uma daquelas obras de arte que deve ser revisitada em diferentes momentos da vida para que haja melhor compreensão do amor de Wander por Mono, a lealdade de Agro, o desejo de poder de Dormin...

Shadow of the Colossus continua sendo espetacular e memorável desde seu lançamento em 2005 não pelo que está na tela, mas sim pelo por tudo aquilo que não está e que podemos perceber.




quinta-feira, 16 de julho de 2015

Top 10 Meus filmes favoritos

1- Dr. Fantástico (Stanley Kubrick)







Kubrick é meu diretor favorito. Foi O Iluminado que me apresentou realmente o cinema cult e me fez expandir horizontes em termos de sétima arte. Pra mim seu melhor filme é Dr. Fantástico. Ele se destaca por ser a única comédia de Kubrick e, especialmente, por ser uma das melhores que já assisti; o filme tem um humor negro e ácido que serve de paradoxo perfeito para o tema abordado: uma guerra nuclear e a completa destruição do mundo. E se uma guerra realmente eclodisse entre os USA e a URSS, mas não do modo que esperávamos (resultado de um conflito de interesses) e sim como um incidente infeliz causado por um louco membro do alto escalão do exército americano? Dr. Fantástico é o resultado! Peter Sellers merece destaque por ter atuado de forma magistral como três personagens extremamente distintos.



2- Star Wars Ep.IV: Uma Nova Esperança (George Lucas)







O maior space-opera de todos os tempos e ícone supremo da cultura pop tinha de estar nessa lista. Apesar de o Ep.V ser considerado o melhor de todos e conter o maior spoiler da história do cinema com a frase "Não, eu sou seu pai!", meu filme favorito da saga é o primeiro. Como uma criança nascida no final dos anos 1990 meu primeiro contato com Star Wars foi o péssimo  amado Ep.I, mas graças a Deus meu pai teve consciência de que caminho minha vida tomava e me mostrou o querido Ep.IV. A primeira vez que vi Darthy entrando naquela sala branca com todo seu uniforme negro ainda me dá arrepios! E a primeira vez que vislumbrei a Millenium Falcon?!



3- Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (Peter Jackson)







Se hoje eu amo a Terra-Média e sua história é tudo graças a Silvio Santos. Peguei o costume de assistir no final de cada ano os filmes sobre a demanda do Anel porque o SBT sempre os passava entre novembro e dezembro (pelo menos é como eu me lembro). No começo eu não entendia o filme completamente, minha mente infantil ainda não estava preparada, porém quando cheguei aos meus 8 ou 9 anos eu cheguei ao Nirvana! Se você gosta de Harry Potter agradeça a J.R.R.Tolkien; se você gosta de Percy Jackson agradeça a Tolkien; e se você gosta de Eragon ou qualquer outro livro de fantasia agradeça a Tolkien! O Senhor dos Anéis definiu de uma vez por todas a "Jornada do Herói" e os moldes da fantasia épica. Ver isso no cinema é simplesmente espetacular. O primeiro filme mantém a todo momento o espírito de aventura inerente dos livros, coisa que os outros dois filmes, também espetaculares, não conseguiram. Sem contar que a música principal é tão épica quanto as trilhas que John Williams fez para Star Wars e Indiana Jones.


4- Poderoso Chefão: Parte I (Francis Ford Coppola)







Quem nunca ouviu a frase Say hello to my little friend "Mantenha seus amigos perto e seus inimigos ainda mais perto"? Poderoso Chefão é talvez o melhor filme de máfia de todos os tempos, não só por representar de forma perfeita as relações de família da máfia, mas também por mostrar os homens com terno risca-de-giz de forma muito humanizada, com seus códigos de honra, seus defeitos e suas qualidades. Temos a "Jornada do Vilão" de Michael Corleone que é representada não só pelo roteiro, mas também pela simbologia do filme e pela atuação de Al Pacino. O roteiro perfeito foi adaptado do livro de Mario Puzo, com a ajuda do autor, e traz Marlon Brando em seu trabalho mais célebre e Al Pacino em uma de suas atuações mais memoráveis. A trilha sonora passa toda a melancolia e desolação da trama.



5- Os Miseráveis (Tom Hopper)







Eu gosto de musicais. Eu gosto de história. Os Miseráveis é perfeito pra mim! O filme traz Wolverine Hugh Jackman em uma de suas melhores atuações junto de I am Gladiator Russel Crowe e  Diabo Veste Prada Anne Hathaway. Ele se baseia nos musicais clássicos em que nada é dito, tudo é cantado, por isso pode ser um pouco cansativo (ainda mais se levarmos em conta que é um filme de quase três horas). As músicas emocionam e são cheias de simbolismo, por exemplo a melodia de "Valjean Soliloquy" é parecida com "Javert's Suicide" mostrando que o protagonista e sua nêmesis não são tão diferentes afinal. As músicas "One Day More", em que todos cantam juntos, e " Dream I Dreamed", que mostra todo o poder do gogó mágico de Hathaway merecem destaque. Ah, e se você não dropou um suor pelos olhos com "Empty Chairs at Empty Tables" cantada por Marius (Eddie Redmayne) você não tem coração.



6- Forrest Gump (Robert Zemeckis)






Se a vida é como uma caixa de chocolates, Forrest Gump é um daqueles recheados com doce de leite cremoso. O filme conta a história de Forrest Gump (Tom Hanks), um americano da Georgia com dificuldades cognitivas. Nunca alguém poderia esperar uma história tão extraordinária! Forrest esteve presente em todos os eventos importantes da história dos USA, desde a ascensão de Elvis como o Rei do Rock até a Guerra do Vietnã, mas sempre de forma indireta ou escondida. Forrest ultrapassou mais limites sendo ele mesmo do que a maioria dos indivíduos que o menosprezavam tentaram. O filme é uma lição sobre amor, amizade e respeito que dialoga com pessoas de qualquer idade e que nos toca de um jeito diferente em cada etapa da vida. Sem contar que ele é uma comédia, um drama, um filme de guerra, um filme de esporte, filme histórico...



7- Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida (George Lucas+Steven Spielberg)







Tudo bem, talvez eu tenha uma predileção por primeiros filmes, mas Os Caçadores da Arca Perdida é o melhor de todos! Indiana Jones teve como inspiração as revistas poop dos anos 1930/1940 que traziam arqueólogos entrando em tumbas e enfrentando múmias, armadilhas, etc. e acabou se tornando um dos maiores ícones do cinema! Pegue um chapéu e um chicote e você pensa automaticamente no Junior Indiana. Esse filme tem uma das melhores apresentações de personagens que eu já vi, a sequência em que vemos que o líder de uma expedição pela mata será traído, mas daí no último segundo ele saca seu chicote e acaba com toda a palhaçada. Indi é inteligente, porradeiro, cafajeste e no final acaba com a mocinha, tem como não gostar dele? Além de todo o carisma do personagem a obra é coroada por mais uma das composições do mestre dos mestres John Williams.



8- Boyhood: Da Infância à Juventude (Richard Linklater)







"O filme que demorou 12 anos para ser feito!" Quando se assiste ao filme não se fica maravilhado com o tempo de produção. Você fica maravilhado pelo talento de Linklater de nos emocionar com a história de Mason, um garoto comum com pais divorciados. O filme não tem plot twist, não tem um evento que muda a vida de Mason... nada, o filme conta a história normal de uma pessoa normal. E ainda assim consegue nos tocar. Os diálogos são o ponto alto do filme e vão nos mostrando a mudança sutil na personalidade de Mason e dos personagens a sua volta com o passar do tempo. Para mim foi como acompanhar a vida de um amigo uns poucos anos mais velho; alguns eventos da vida de Mason também estão presentes na minha vida! Por exemplo quando o Nintendo Wii foi lançado eu fiquei tão maravilhado quanto ele e depois com o tempo fomos migrando nosso interesse para consoles como XBox e PS. Acompanhar a vida de Mason foi como relembrar minha própria história. Birdman não chega aos pés de Boyhood...



9- Cães de Aluguel (Quentin Tarantino)







Quentin Tarantino é um dos meus diretores preferidos. Django Livre foi o primeiro filme do diretor que assisti, mas foi com Cães de Aluguel que passei a idolatrá-lo. Esse foi o primeiro longa dirigido por Tarantino e para mim seu melhor filme. O fato de todo o evento em que o filme se baseia, o assalto ao banco, não ser mostrado e obrigar o espectador a imaginá-lo é simplesmente genial! A maior parte do filme são flashbacks (coisa comum dos filmes de Tarantino) e são através deles que se entende como aqueles personagens se meteram naquela situação. O papo de bar e os diálogos muito bem construídos que são característicos do diretor já estavam presentes, assim como o humor non-sense e a extrema violência gráfica. O próprio Tarantino faz uma participação especial como Mr. Brown.


10- Rei Leão (Roger Allers+Rob Minkoff)








Todo mundo cresceu com a Disney, eu inclusive. Quem não se lembra de Scar matando o Rei? Quem não se lembra das lições de Rafiki? Quem não se emocionou com a relação de pai e filho de Simba e Mufasa? Rei Leão foi um dos filmes da Disney que mais me marcaram, principalmente pelo vilão Scar e pelos side-kicks Timão e Pumba. E tudo fica ainda mais sensacional quando percebemos que o filme é uma releitura de Hamlet de Shakespeare. Por isso esse filme está no Top 10, porque ele representa tudo que a Disney me ensinou e me mostrou. Se a vida estiver difícil siga em frente, Hakuna Matata! O passado pode doer, mas você tem a opção de aprender com ele!



Menção Honrosa- A Lista de Schindler (Steven Spielberg)







Eu nunca chorei tanto com um filme! A Lista de Schindler é para mim um dos melhores filmes sobre 2ª Guerra Mundial, ainda mais considerando que tudo é história real. A fotografia é linda e passa o sentimento de submissão e enclausuramento. O filme conta a história de Oskar Schindler (I'll find you and kill you Liam Neeson) um empresário alemão que salva mais de 1000 judeus do Holocausto. O caso da lista de Schindler é considerado uma das maiores demonstrações de amor à vida de todos os tempos. Se nem uma lágrima caiu de seus olhos enquanto assistia ao filme, você merece o troféu dos corações de pedra! Mais uma vez Spielberg mostra que sabe fazer cinema.





É claro que muitos filmes ficaram de fora, então deixe aí nos comentários quais os seus filmes favoritos!